Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, reconheceu que houve uma articulação para impedir a posse do presidente eleito em 2022. Ele também apontou o envolvimento direto de Bolsonaro na elaboração de um plano golpista.
Segundo Cid, o ex-presidente teve acesso e sugeriu alterações em um documento que previa medidas autoritárias, como a prisão de ministros do Supremo, a decretação de estado de sítio e a formação de um conselho para revisar o resultado das eleições. De acordo com o depoente, Bolsonaro chegou a “enxugar” o conteúdo da minuta, mas fez questão de manter o trecho que determinava a prisão do ministro Alexandre de Moraes.
O depoimento reforça a tese da Procuradoria-Geral da República (PGR), que investiga a organização e a tentativa de execução de um golpe de Estado no final do mandato de Bolsonaro.
O militar contou ainda que houve pressão sobre altos comandantes das Forças Armadas, especialmente o então ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e o comandante do Exército Freire Gomes. Bolsonaro, segundo ele, cogitou substituir líderes militares que não apoiassem a iniciativa.
A ideia era colocar em prática o plano até 31 de dezembro de 2022, antes da posse do novo governo. O grupo buscava uma forma de justificar uma intervenção, incluindo a tentativa de fabricar um parecer técnico questionando a segurança das urnas eletrônicas.
Cid foi o primeiro a prestar depoimento entre os acusados, por ser colaborador da investigação. Advogados afirmaram que ele se manteve calmo e convicto durante toda a audiência, que seguiu o modelo de julgamento com júri.
Apesar de confirmar a existência do plano, o ex-ajudante de ordens afirmou que apenas acompanhou os acontecimentos, sem participar diretamente da execução das ações. Sua delação, no entanto, é considerada fundamental para compreender a dimensão da tentativa de ruptura democrática nos últimos dias do governo Bolsonaro.



