Há homens que constroem o palanque sem nunca subir nele. Trabalham nos bastidores, antecipam movimentos, leem o sentimento das ruas antes que os holofotes o percebam. Na política paraibana, esse homem tem nome e método: Nonato Bandeira “Arquiteto do Voto”.
O codinome não é exagero. É a síntese de uma trajetória forjada em mais de quatro décadas, entre redações, campanhas e gabinetes. Jornalista, ex-vice-prefeito de João Pessoa, ex-chefe de gabinete, secretário de Comunicação e coordenador de campanhas históricas, Nonato atravessou diferentes ciclos da política estadual sem perder a característica que o define: a capacidade de compreender o que as pessoas sentem e traduzir isso em orientação política.
A reeleição de Lucas Ribeiro no primeiro turno, com 64,30% dos votos válidos, não nasceu nos 45 dias de campanha. Nasceu antes nas obras entregues, nos programas executados, na presença do Governo do Estado em cada município. Mas nenhuma realização vira voto se a população não consegue enxergá-la. E é exatamente aí que o método de Nonato se impõe.
“A comunicação não tem que inventar nada. Ela tem que mostrar a realidade.”
A frase, aparentemente simples, carrega uma compreensão profunda sobre comunicação pública. Propaganda nenhuma sustenta por muito tempo aquilo que não existe. Pode gerar impacto momentâneo, produzir uma boa peça, criar entusiasmo passageiro. Sem realização concreta por trás, vira o que o próprio Nonato define com precisão: um castelo de cartas.
Essa sabedoria não nasceu ontem. Nasceu no movimento estudantil da UFPB, fortaleceu-se nas redações dos principais veículos da Paraíba onde foi de revisor a editor e consolidou-se na presidência da Associação Paraibana de Imprensa e na implantação da TV Assembleia. Depois, migrou para a gestão pública, onde coordenou as campanhas vitoriosas de Ricardo Coutinho para a Prefeitura de João Pessoa, em 2004 e 2008, e para o Governo do Estado, em 2010.
Poucos profissionais conhecem tão bem, ao mesmo tempo, uma redação, uma campanha, um governo e os subterrâneos da política paraibana.
Se a narrativa eleitoral foi organizada com competência por Juarez Guedes, foi Nonato quem garantiu que existisse uma realidade sólida para ser narrada. A distinção é essencial: nenhuma vitória dessa dimensão pertence a uma única pessoa. Lucas venceu pelos méritos, pelo trabalho do governo, pelas alianças, pelas lideranças municipais e pela militância. Mas toda grande vitória precisa de quem saiba transformar trabalho em mensagem e mensagem em confiança.
O que Nonato oferece ao ambiente político é algo cada vez mais raro: memória. Ele conhece os erros já cometidos, as fórmulas que esgotaram e os atalhos que parecem atraentes, mas terminam em derrota. Ao mesmo tempo, conserva a inquietação de quem sabe que política e comunicação mudam todos os dias.
O resultado das urnas confirmou o acerto do projeto. Lucas venceu com ampla vantagem; João Azevêdo chegou ao Senado com votação histórica. Não foi vitória de maquiagem publicitária, mas o reconhecimento de um trabalho que soube apresentar resultados e comunicar o que fez.
No fim, o “Arquiteto do Voto” estava certo mais uma vez: a boa comunicação não cria uma realidade. Ela apenas impede que uma boa realidade permaneça escondida.
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